quarta-feira, 30 de março de 2011

É Tudo Sobre a Graça!

"...Papai do céu gosta de meninos obedientes..."
"...Quem mente é filho do diabo..."
"...Ei, você não pode tomar a ceia pois está em pecado!"

    Quantas vezes já ouvimos - ou até mesmo falamos - frases como estas, na intenção de obter uma mudança de atitude dos envolvidos?! Acabamos barganhando o perdão de Deus com um gesto (mesmo que fingido) de respeito, bom comportamento o simplesmente medo de desobedecer. Uns dias atrás estava na sala de aula falando sobre os povos Hebreus, quando um aluno me questionou se eu era cristão; respondi que sim, e continuei a aula. Novamente, ele me interrompeu pra dizer que também era protestante, e eu rapidamente com um olhar de censura lhe disse: "então por que você não se comporta como tal?". Isso o fez calar - e me deu certo alívio, visto que eu poderia continuar a minha aula.
    Nesses ultimos meses, tenho lido alguns livros interessantes, e o ultimo que li me intrigou bastante (pra não dizer que gerou certo constrangimento). Deus falou profundamente ao meu coração a respeito da graça salvífica. De repente, veio a imagem do meu aluno levando um "tapa sem mão" ao melhor estilo fariseu - visto que minha vida não é muito diferente da de outras pessoas, e erro tanto quanto ele - e eu fazendo um papel de inquisidor daquele que carece da graça tanto quanto eu.
    Quantas vezes isso não nos acontece? Achamos que somos muito bons e que nosso nível eclesiástico é suficiente para merecermos algo que venha da parte de Deus, e acabamos esquecendo que "todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer...(Rm.3:12)" Viver dentro dos padrões mosaicos, onde você não pode cometer erros, ou falhar com aqueles que te rodeiam só nos traz um sentimento: frustração! Isso porque não temos condições de sermos bons o suficiente para merecer dádivas divinas. Não existe ninguém bom!
    O pecado é um peso que iremos carregar até o dia glorioso do encontro com Cristo. No livro "O Peregrino", Cristão inicia sua jornada com um fardo muito pesado preso às suas costas, muitas dúvidas na cabeça, mas uma certeza: "Quero ir para cidade celestial, e vou deixar o Senhor do lugar me guiar até lá!" Em muitos momentos do livro, o fardo o encomoda bastante, fazendo-o por vezes vacilar e pensar em desisitir e é quando ele é liberto do fardo: "Ao chegar à cruz, soltou-se-lhe o fardo, instantaneamente, de sobre os ombros, e, rolando, foi cair na sepultura, donde não tornará jamais a sair...(O Peregrino, cap.6, pag. 21)
    Vida cristã é isso. O apóstolo Paulo pediu a Deus que tirasse o espinho que ele tinha na carne, e a resposta do Senhor: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza..."(2 Cor. 12:9). Certa vez ouvi que se o pecado nunca tivesse entrado no mundo, não teríamos a noção do tamanho do amor de Deus por nós, e isso é muito verdadeiro!
    Quando olho para minha vida hoje, não consigo me imaginarlonge desse amor. Pois o Senhor me ama MESMO sabendo que não tenho condições de ser diferente do que sou: miserável, infiél, traiçoeiro, inimigo da verdade... PECADOR! E mesmo assim, "entregou-se por nós quando éramos inimigos seus!
    Depois de tudo isso, não tem como não se apaixonar por esse Deus. Afinal, não tem nada haver com o que eu faço ou deixo de fazer, tem haver com esse amor que ME CONSTRANGE! Não tem nada haver com viver pela lei, pois ela só existe pra me mostrar que não consigo sozinho... é tudo SOBRE A GRAÇA que me envolve de forma que não consigo escapar... pois ELA ME BASTA!

terça-feira, 29 de março de 2011

Segundo o Coração

“...Levantou-lhes como rei a Davi, ao qual também deu testemunho, e disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade...(At. 13:22)”

            Na sociedade que se apresenta atualmente, onde os valores morais estão invertidos e a perseguição que ocorre é uma perseguição bastante sutil, até “elegante”, digamos assim, onde, na verdade, nós cristãos é que parecemos ser os malvados, como é possível olhar para Deus e esperar que Ele olhe para nós e enxergue um servo “segundo o seu coração“? Como Davi conseguiu esse “status” diante do Deus altíssimo? Bom... vamos observar alguns fatos a respeito de Davi:
            Adúltero e homicida (II Samuel 11: 1-15); péssimo pai, pois seus filhos foram altamente indisciplinados: um cometeu incesto com sua irmã (Amnon e Tamar II Sm. 13:1-19), o outro se vingou matando o irmão (Absalão e Amnon II Sm. 13: 23-29); ou seja: uma família desastrosa.  Um Davi bem diferente daquele Davi que venceu o gigante Golias.
            Mas, onde está o diferencial de Davi? Quando o profeta Samuel vai encontrar-se com Jessé para ungir um de seus filhos como rei, o Senhor é muito claro: “porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.”(I Sm. 16:7).
            Esse é o grande problema para aceitarmos Davi como um homem “segundo o coração de Deus”: nós enxergamos o que está diante dos olhos! E essas características acima citadas são as que estão diante de nossos olhos. Porém, o que nos escapa a primeira vista é o que motivou Davi. Como homem, Davi estava tão sujeito a erros quanto nós mesmos – talvez até mais, devido à sua posição – e mesmo assim, tinha um coração humilde e quebrantado perante o Senhor. Davi SEMPRE aceitou a disciplina de Deus na sua vida, e nunca se considerou acima da vontade de Deus. Mostrou que agir pelas próprias forças não era a melhor forma de agir. No salmo de número 40, Davi expressa o seu alívio por ser ouvido por Deus. E no salmo de nº 32, ele fala da angústia que sentiu por ter escondido o pecado do Senhor, e do alívio por ter obtido o perdão.
            O exemplo de Davi para os dias de hoje se encaixa perfeitamente! O povo de Israel sofria bastante pressão por parte de outros povos que ameaçavam a guerra, mas Davi se manteve firme, com o coração focado em Deus, sabendo que Ele daria o livramento necessário e que a mão dEle é firme e forte para dar a vitória.
            Que nos momentos de angústia possamos olhar pra o exemplo de Davi, que mesmo com tantos pecados e tantas imperfeições, conseguiu obter segurança e uma comunhão intensa com nosso Senhor, sendo considerado um homem “segundo o coração de Deus”.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Servo ou Senhor

“Bem como o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.”(Mc. 20:28)

     A sociedade moderna tende cada dia para o âmbito do sucesso desmedido. Hoje, uma pessoa bem-sucedida, significa uma pessoa que tem muitos bens e prestígio em meio à alta sociedade. Vivemos no auge do capitalismo moderno, aonde chegar ao topo é o que interessa, mesmo que isso signifique passar por cima de quem quer que seja. Nesse panorama, enxergamos a igreja. Uma ferramenta de muito poder, mas que acabou por se conformar com a situação atual.
     A cultura de sincretismo obtida em muitos aspectos pela igreja, fez com que alguns valores dentro da própria instituição se invertessem. Hoje, o que vemos é uma igreja repleta de “super pastores”, que possuem jatinhos e helicópteros, com a desculpa de poder pregar em mais lugares e alcançar mais vidas, temos igrejas colossais, com colunas titânicas e arquiteturas imperiais, onde se gastam milhões – ou até bilhões – para a construção das mesmas. Outro dia, fiquei sabendo da construção do Templo de Salomão, em São Paulo: "Será uma mega igreja, com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura, dimensões que superam as de um campo de futebol oficial e as do maior templo da Igreja Católica da cidade de São Paulo, a Catedral da Sé. São mais de 70 mil metros quadrados de área construída num quarteirão inteiro de 28 mil metros. A altura de 55 metros corresponde a de um prédio de 18 andares, quase duas vezes a altura da estátua do Cristo Redentor"(blog do Bispo Edir Macedo). Ou seja, o que vemos hoje é um cristianismo às avessas.
     Não podemos esquecer o que somos: CRISTÃOS. A palavra “cristão” foi usada pela primeira vez em referência a Barnabé e Saulo, enquanto pregavam em Antioquia (At. 11:26), e o seu significado no grego é “pequeno Cristo” ou uma réplica submissa de Cristo, um imitador fiel. A pós-modernidade tem sufocado e engolido os preceitos da igreja cristã, nos tornando reféns do nosso próprio ego e auto-suficiência, mas, Cristo nos convida a sermos diferentes, irmos na contra mão. Quebrar paradigmas é o desafio diário do cristão. O versículo ao qual iniciamos esse texto se refere justamente a isso. Jesus estava com os seus discípulos a quase três anos, caminhando com eles, comendo com eles, os ensinando, curando e operando maravilhas através deles. Porém, num determinado momento, dois de seus discípulos fazem um pedido incomum: “Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.”(Mc.10:37). Jesus, percebendo que eles ainda não tinham entendido suas atribuições como discípulos, chama os doze para perto de si – e aí, dá pra imaginar Jesus ajuntando eles com amor e paciência, afim de que eles aprendam e guardem aquelas palavras tão preciosas – e diz: “Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal.”(Mc.10:42,43).
     Fomos chamados pelo mestre para sermos servos. Só existe um Senhor, e é Cristo Jesus, e foi o nosso primeiro modelo de submissão e subserviência ao nosso Deus. Se nós somos cristãos, nossa obrigação é nos despirmos de nós mesmos, descermos dos nossos púlpitos enfeitados e confortáveis, sair de nossa zona de conforto e SERVIR. Esse é o desafio dos crentes em Jesus. Tomar cada dia nossa cruz e segui-lo (Lc.9:23), independente de onde Ele nos mande ir. A cruz diária é um sacrifício muito menor que o de Cristo por nós. Pensemos nisso, e foquemos em Jesus, o autor e consumador de nossa fé.